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E quando acabar....

por jeansmonroe, em 22.02.14

E quando se deixa de fazer parte do “nós”?

Ai, o natal nada mais é do que o dia mais frio do ano, com um pinheiro de plástico vestido de palhaço pobre no meio da nossa sala de estar , é isso mesmo.

- Senhores e senhoras, meninos e meninas não percam esta noite,o regresso do palhaço pobre e paraplégico ao grande circo dos tristes.

Porque nos fazemos sofrer tanto?Quem nos obriga ?

Não sabemos, só sabemos que é tradição nesta altura do ano, fecharmos-nos dentro de um quadrado entupido de motivos decorativos, e como se de uma prova de resistência se tratasse,ver quem consegue fingir durante mais tempo, de que esta tudo bem, e com os olhos a transbordar de lágrimas começar então a maratona equilibrista, para que nem só uma cai enquanto o dia durar, e o dia é longo, apesar de ter as mesmas 24horas dos restantes 364, parece bem mais comprido, terrivelmente comprido, á quem diga que é para o pai natal conseguir entregar a tempo todos os presentes que lhe foram pedidos, mas quanto a mim, é apenas para nos fazer sofrer só mais um pouco, o eterno gozo dos Deuses, os humanos, mas prontos, com isso lidamos bem, o pior são mesmo as pessoas, que se injuriam, e se maltratam com olhares secos durante todo o dia, para que assim que as doze badaladas mais hipócritas do ano soem, possam finalmente proferir o seu mais que ensaiado discurso de obrigados, de forma tão verosímil que até chegamos a pensar que gostam de nós, e é embalados por este delicioso cinismo, que nos adocica a boca amarga de tanta maledicência, que nos vamos voltando a sentir novamente parte do “nós”, e é já com os olhos enxutos, e divertidos com os presentes de segunda, que nos calharam no sapatinho, que chega sempre alguém e nos diz:- Meninos,meninos, por favor arrumem os brinquedos,o natal acabou, já se podem voltar a odiar de novo.

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ainda que...

por jeansmonroe, em 22.02.14

Ainda que tudo o que desejei para este novo ano não se concretize, o sol não deixará de brilhar, os ventos jamais se calarão ou mudarão de trajectória  os mares não se acobardarão nem deixarão de haver nuvens nos céus, continuarão a existir verões, invernos, outonos e primaveras, as noites por mais frias que sejam não serão mais que noites frias e tu serás passado como o passado não passará  disso mesmo. Mesmo que nada se realize, continuarão a haver amores e amantes, amados e enganados encantos não correspondidos e casais apaixonados  o frenético passo da multidão não abrandará, o frenesim das cidades, o caos nos semáforos, o cheiro a adrenalina e o ruído nas ruas não desaparecerá, por mais que tudo dê errado, continuarão a existir pobres, ricos, remediados, corações esfarrapados, e mendigos em todos os lados, continuarão a nascer crianças e a morrer pessoas por mais inocentes que sejam,haverá sempre o bem e o mal, o diferente o indiferente e o igual. Por mais que não se cumprão meus pedidos, existirá sempre o certo e o errado, o céu e o inferno, o perdão e o pecado, não se calarão os mentirosos, os hipócritas nem os oportunistas, como também não se intimidarão os justos, os outros não serão menos estranhos nem o escuro mais claro, o fado e a saudade serão sempre só por nós sentidos, e nós seremos sempre os filhos mal educados da esperança, por isso matem-na para que em vez de só existir possamos viver.

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há pombos mortos no rossio

por jeansmonroe, em 21.02.14

Parida pelos despojos do vinte cinco de Abril, esta geração da qual também faço parte e até bem pouco tempo orgulhosamente catalogada de geração rasca depara-se agora com um novo desafio, superar, contrariar de forma seria todos os desígnios que lhe deram o nome de baptismo. Mas quem serão na realidade estes jovens com quem agora todos simpatizam, esperançados que lhes possam salvar as pensões chorudas que o estado lhes prometeu? Não serão estes os mesmos jovens que deixamos ao cuidado das audiências televisivas, macdonalds , babysitters…e todas essas americanices que nos entraram pela casa dentro num falso auxilio aos então modernos e libertos de preconceitos educadores/progenitores, que deixamos ao cuidado do facilitismos para que nenhum destes futuros adultos se sentisse frustrado, incapaz, inadaptado, deixando que as sondagens e estatísticas os educassem e fizessem deles bandeira e motivo de orgulho do cinismo e demagogia politica, corrijam-me se estiver errado mas como poderia uma geração de gente tão desprovida de consciência social não acabar á rasca ? O que temos não é mais que o prémio merecido pelo nosso desinteresse em construir uma sociedade no seu todo com os pilares assentes em necessidades reais. Quem serão estes novos revolucionários de barba por fazer, estampa de qualquer prete a porter de shoping a viver na casa dos pais até as 30 (se Deus quiser). Sem responsabilidades nem ideais, esta escória que na sua maioria acha que uma licenciatura os faz ser demasiado capazes para acabar ao final de 5 anos de borga e maus estudos num balcão de fast food ou numa recepção de hotel…deixem-me que vos faça algumas e breves perguntas: Quantos de vos passou realmente necessidades? A quantos de vós já faltou comida no prato? E finalmente quantos de vós de megafones em punho, bloguistas de escrita afiada seriam capazes de morrer pelo que dizem acreditar? É de facto bonito e dá um certo charme brincar aos Che Guevara´s concordo mas temos de ser mais do que isso, mais que pombos a passear no rossio, por isso vamos lutar por nós, lutar pelos que a nós se seguiram …para que eles também sejam mais que pombos mortos no rossio.

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Crónicas da vida puta

por jeansmonroe, em 21.02.14

Cheira-me a seda barata

E a mulheres de saltos altos

Com as unhas afogadas em verniz dos chineses (vermelho escândalo para que se saiba)

Promiscuidade, sexo agudo nos corredores da vida

VIDA! Dádiva ou divida divina?

Dúvida prepara-me a cama de casal que hoje vou sonhar com omeu amor

10 Minutos para 24h

Bebo o meu café aguado em chávena de porcelana antiga

E lembro-me de ti...a saudade lembra-se de ti...

A humidade da casa de banho dá-me tesão ainda se sentem os gemidos entranhados

Nas paredes rosa virgem encomendada

Quando foi a ultima vez que te vi?

Tentei esquecer-te mas a obsessão pelo impossível

Deixa-me dependente deste nervoso miudinho

Já não sei viver sem a nossa infelicidade

Já não sei viver sem nós

O cheiro do medo é insuportável

A casa tresanda a medo

Tudo é bem mais duro sem a nossa teimosia

Pede-me desculpa que eu peço-te em casamento.

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burguesinhas no chiado

por jeansmonroe, em 21.02.14
Lisboa sol raia apaixonado no meio das burguesinhas do chiado

Cinturinhas vincadas passo apressado salto alto desalinhado

Cruzam o bairro alto, sexapeal consumista cheiro a pecado

Deixam saudade no perfume e antes que eu me acustume

Largam-me vagabundo e sem rumo

Elas desfilam com a lasciva que incendeia as almas

Chiuuu! Silencio Lisboa que se vai bater palmas

A cidade pára só para as ver passar

Tentação citadina que me fascina ao imaginar

Paixonetas de metro sinto tejo bem perto

Meu coração a ceu aberto meu louco contemplar

desejo absuluto prazer em estado bruto

Perdição do meu olhar

Quem me dera parar o tempo e oferecer-lhes a primavera

corrupio viciante adrenalina cativante

Lisboa menina e moça minha amante...

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carta a minha filha

por jeansmonroe, em 21.02.14

Nada me custará mais do que vê-la entrar naquela velha igreja onde já antes tinha chorado meu pai pela última vez, por minhas próprias mãos entreguei-a vestida de branco pérola, deixará de ser minha naquele instante, a partir dali iria amar e ter ciúmes ser mãe dos seus próprios costumes, ser mulher como as outras que desejei…pedi-lhe para que amasse sem a fúria dos relógios, que vivesse sem o medo do tempo, e que a felicidade…bom a felicidade logo a descobria por si mesma.

Viu-o ao fundo da nave principal, um vulto trémulo, tão grande quanto ansioso, magro vestia-se de preto luto, já não se casa de preto luto …ouvem-se saltos de mulheres, ajustar de gravatas, a inquietação das crianças, o barulho das lágrimas, as ultimas mentiras sobre o casamento, aperta-me a mão seguro-a com delicadeza, revejo tudo o que passamos deste o primeiro dia.volta a ser frágil, volta a ser menina e a precisar de mim…viajo para bem longe e já só consigo sentir o cheiro da sala de parto, a aflição de te ver chegar confunde-se com a de te ver partir, eu sou teu pai vi-te nascer, vi-te chorar vi-te crescer como crescem as árvores, choramos juntos cada arranhão e desventura, lutei para que te fizesses mulher, mulher que hoje és por ti não por mérito meu ou de outrem e é neste estado que te entrego ao destino, lembra-te de ser feliz pelo menos uma vez por dia, vai visitar a tua avó uma vez por mês, e liga-me sempre que poderes, não deixes que falem alto contigo, nem confies demasiado no amor, certifica que a tua volta só sobrarão aqueles que te amem tanto ou mais que nós…

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